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Não dá para negar, tem trabalhos que ganham um espaço especial no coração! Eu, ainda bem, sempre acabo me envolvendo com um deste tipo.

Minha paixão do momento é um livro infanto juvenil chamado “Vento no Rosto” e o projeto tem como tema a educação sem violência.

A história  é uma criação coletiva de 12 meninos e meninas com idades entre seis e 13 anos da comunidade da Maré, todos participantes do projeto Esporte, Cultura e Cidadania da Fiocruz, que é desenvolvido pelo Promundo, com financiamento da Save the Children.

O conto aborda questões como obediência, punição, deveres, direitos e obrigações de cada membro da família e o diálogo entre eles. “Nossa ideia é que o livro seja um instrumento de diálogo entre pais e filhos. Entendemos que as crianças são sujeitos de direitos, o que não significa pensá-las como pequenos adultos, mas considerar seus sentimentos, desejos e percepção do próprio mundo. Esperamos que os adultos percebam que as crianças têm ideias que precisam ser levadas em conta quando se trata de decidir os rumos de sua própria vida”, explica Letícia Serafim, coordenadora de comunicação do Instituto Promundo e uma das redatoras do livro.

Eu fui chamada pela Letícia para dar cores e formas a esta linda história. Confiram abaixo o resultado:

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A primeira vez que entendi do mundo
alguma coisa
foi quando na infância
cortei o rabo de uma lagartixa
e ele continuou se mexendo.

De lá pra cá
fui percebendo que as coisas permanecem
vivas e tortas
que o amor não acaba assim
que é difícil extirpar o mal pela raiz.

A segunda vez que entendi do mundo
alguma coisa
foi quando na adolescência me arrancaram
do lado esquerdo três certezas
e eu tive que seguir em frente.

De lá pra cá
aprendi a achar no escuro o rumo
e sou capaz de decifrar mensagens
seja nas nuvens
ou no grafite de qualquer muro.

Poema de Affonso Romano de Sant’Anna

Estou desenvolvendo, em parceria com Instituto Paulo Freire e a Secretaria de Cultura de Salvador, a identidade visual de um projeto de educação a distância e formação continuada de educadores e educadoras.

Abaixo duas propostas para o símbolo e também a aplicação de uma delas a um projeto gráfico.

É comum que símbolos ligados a projetos da área da Educação sejam ilustrados com representações utilizadas no aprendizado, como lápis, caderno, letras, computador. Neste símbolo tentei evidenciar a troca de informações e o diálogo entre as pessoas em rede. Trabalhei, então, figurativamente pessoas diversas representadas de maneira orgânica com cores e traços étnicos diferentes que trocam seus conhecimentos por meio de um fluxo de ondas que interliga uma a outra. Este simbolizado por ondas (às sonoras, a do mar, às conexões). A circularidade, simbologia freiriana muito forte na educação por lembrarem os Círculos de Cultura, além da convergência de energias. Também quis evidenciar a alegria e a amorosidade por meio dos traços nos rostos das pessoas desenhadas e as relações entre homens e mulheres que conversam e dançam a caminho de uma outra educação.

[O texto acima foi escrito em parceria com a querida thais chita, que sempre me socorre quando eu desejo registrar em palavras minhas ideias 🙂 ]